Panamá 26 de outubro de 2025. - Desde seus 6 anos, Gloria Hernandez, da comunidade de El Jobo, aprendeu a arte de tricotar chapéus de cortina, uma tradição que marcou sua vida e hoje compartilha com orgulho novas gerações.
Seu primeiro chapéu foi vendido por 65 centavos, sem imaginar que esse seria o início de um caminho que o tornaria um dos mais representativos portadores de legados artesanais do Panamá.
"Aprendi a ver minha avó, minha mãe e seus vizinhos. Eram meus professores", diz Gloria, que hoje transmite esse conhecimento para suas filhas, netos e pessoas dentro e fora do país. Com emoção, sua dedicação foi reconhecida com a Medalha de São José e foi dada a oportunidade de viajar para outro continente representando o Panamá e o artesão que têm mantido viva esta tradição.
O Chapéu Pintano, declarado pelo UNESCO como Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, exige paciência e materiais naturais como acrobata, chonta, água do mar, cabouya ou pita e bengala branca. "Tudo depende das curvas e do estilo de cada artesão", diz Gloria, que ressalta que muitas vezes o preço não reflete o esforço investido em cada peça.
"Meus chapéus são tradicionais. Essa arte que Deus nos deu é minha entrada econômica, e agradeço-lhes pelos materiais que vêm de nossa natureza. Não dependemos de nenhuma empresa, temos nosso próprio trabalho", expressou com orgulho.
Com mãos especializadas e uma fé inabalável, Gloria Hernandez continua a tricotar não só chapéus, mas também a história de uma herança cultural que continua a inspirar o Panamá e o mundo.